Dênia Emerick, psicanalista, analisa o perfil psicológico da dançarina Eliane e da Dra. Elenita, que após um bate-boca, se desafiaram numa prova de resistência, por 14 horas seguidas e ao final elogiaram-se.O que faz duas pessoas tão diferentes se unirem em situações limites? No penúltimo episódio do Big Brother Brasil 10, a prova do líder enclausurou os jogadores em pequenas e graciosas casinhas que disfarçavam bem uma prisão, só que espontânea. O ser de um ser humano traz em sua estrutura psíquica características que nos impressionam.
Ao final da prova, duas jogadoras, que parecem ser completamente diferentes, se uniram como se fossem amigas ha muito tempo. Uma é dançarina de boate e a outra doutora em lingüística, foram as participantes que conseguiram permanecer mais tempo neste jogo de perseverança, por mais de 14 horas seguidas
Chama-nos a atenção, o fato de duas personalidades tão diferentes se elogiarem e compartilharem de tanta afinidades em momentos de dor, exaustão e até mesmo necessidades fisiológicas.
Pontos de identificação é o que une ou afasta as pessoas. Muitas vezes, tais pontos em comum aproximam, desde que sejam adequados àquele momento especifico. Porém, em outros momentos são esses mesmo pontos que afastam.
Fatos que lembrem questões mal resolvidas, são indesejáveis para a memória. Isso causa um afastamento entre as pessoas. Um afastamento inconscientemente estratégico, para que se evite um mal estar.
Voltemos às personagens da nossa análise: Elenita e Eliane estavam exaustas, emocionalmente desequilibradas e no limite da perseverança de cada uma. Porem, mesmo sendo tão opostas (uma atlética e malhada e outra cabeça pensante e acadêmica), elas se comportaram naquele momento, como grandes amigas, elogiando-se e dizendo que, quem saísse primeiro consideraria a outra vencedora.
Então, volta a pergunta que não quer calar: o que leva pessoas tão diferentes a se unirem em situações limites? Dor, amor, saudade, fome, catástrofe... O que leva pessoas tão diferentes a estarem juntas nessas situações? É tudo que lembra sua frágil humanidade. Tudo que dessa lembrança, as leve a se ligar ao seu próximo, na intenção inconsciente ou não de juntas haver um fortalecimento.
Foi assim desde a Idade da Pedra e mesmo no século XXI, com todo aparato tecnológico, ainda se testa o limite de um ser humano num programa de TV.
A pergunta agora é: Porque alguns se prestam a isso espontaneamente? Dinheiro, fama, auto-afirmação? Todas essas coisas ou apenas uma delas? Sim, pode ser! Mas esse é um assunto para pensarmos em outra ocasião.
Dênia Emerick
Psicanalista



