Em Divinópolis, as discussões continuam fervilhando. Há quem concorde com a decisão do STF e quem espere, ansiosamente, um desfecho favorável da PEC (comente)
A proposta de emenda à Constituição (PEC) que exige diploma de curso superior de comunicação social para o exercício da profissão de jornalista "será apresentada no mais tardar até as 18 horas da próxima quarta-feira, 1º de julho". A informação é do autor da proposta, senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), mas muitas pessoas, entre elas jornalistas, não acreditam que PEC será aprovada e até mesmo não concordam com ela.
A emenda estabelece o exercício da profissão de jornalista como privativo do portador de diploma de curso superior de comunicação social, com habilitação em jornalismo e precisa ser aprovada por três quintos dos senadores em dois turnos, o que corresponde a 49 dos 81 votos. Antes, terá de passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Mas o tema é polêmico e não se sabe ao certo qual será o posicionamento dos parlamentares. Mesmo entre os jornalistas diplomados existem divergências, no entanto, a notícia da inexigibilidade do diploma causou impacto nas universidades já que algumas pessoas mencionam trancar o curso.
A coordenadora do Curso de Comunicação da Funedi/Uemg, em Divinópolis, Janaína Visibelli disse que isso não os preocupa, porque a formação oferecida vai muito além do ‘fazer matérias’ e não acredita que a inexigibilidade do diploma interfira para que alunos tranquem o curso, a não ser aqueles que já o fariam.
“Já oferecíamos uma formação generalista para que os alunos pudessem acompanhar as mudanças do mercado. Preparamos profissionais capazes de fazer diagnósticos da realidade”, disse.
De acordo com Visibelli, o próprio mercado já exigia profissionais polivalentes e criativos e a formação continuará fazendo a diferença, mas informou que quanto à inexigibilidade do diploma, a Universidade se pronunciará na segunda-feira (29/06), às 19h.
Os alunos da Funedi, porém, já estão desde a segunda-feira (22), protestando contra o fim da exigibilidade do diploma e confeccionaram, inclusive, um caixão para a sua “morte”.
Amanda Quintilhano, aluna de jornalismo do Pitágoras, diz que a mudança é ruim para quem estava na faculdade a busca de diploma, mas que, para quem procura conhecimento, não faz diferença, e argumenta “muitas profissões como administrador ou publicitário não exigem diploma e os cursos permanecem” e ainda brincou, “tomara que todos desistam”.
Entre os formados, muitas são as opiniões. Douglas Edson Fernades disse que a decisão do STF tirou como base realidade de grandes cidades e pode dificultar negociações.
“No interior não se respeita carga horária, nem mesmo piso salarial e agora como vai ficar? A questão não é o diploma em si”, disse ele.
Priscila Mendes, que trabalha em uma rádio da idade, diz que a sensação que tem é a de que jogou seu dinheiro fora.
Leonardo Rodrigues concorda que o fim da exigência do diploma de jornalista foi um grande golpe contra todos os profissionais, mas, assim como Amanda, acredita que mais se importam aqueles que estavam na faculdade em busca de diploma e não de conhecimento.
Ainda diz que a PEC que tramita no Senado, pretende fazer reserva de mercado, o que não acontecia mesmo antes da extinção da exigibilidade do diploma, e caso passe a funcionar pode dar lugar a maus profissionais que tem o diploma, mas se submetem a pequenos salários.
“Fazendo uma análise fria, sem paixão, de nada vale exigir diploma, se não há quem regulamente a profissão de jornalista, a exemplo da OAB, ABO, CREA, etc., que tenha poder para cobrar uma qualificação mínima, talvez através de uma prova, e principalmente, punir, tal qual erros médicos, até com a proibição do exercício da função”, disse Rodrigues.
Carina Lelles comunga com Leonardo Rodrigues e diz que agora ficará mais evidente a diferença entre o bom e o mal profissional, entre quem tem o curso e quem não tem, mas disse que não concordou com os argumentos apresentados pelos ministros e isso sim a deixou desestimulada, mas ainda brinca “eles deram um tiro no próprio pé, porque se profissionais já escreviam mal sobre eles, imagine o dirá agora qualquer revoltado desses que não tem o peso da profissão”.



