Relacionamentos pela internet e outros meios eletrônicos tem sido cada vez mais frequente entre os jovens e o fim deles tambémTreze, quatorze, quinze anos, puberdade, adrenalina à flor da pele, a vontade de aproveitar a vida ao máximo. Os adolescentes estão cada vez mais avançados em relação a namoro e a assuntos como sexo e gravidez. Nada melhor do que começar um namoro, relação quente, cheia de amor e carinho. Mas, entre os jovens isto não acontece frequentemente.
A relação via web é a moda entre os jovens. Os novos espaços de comunicação, como, Orkut, e-mail, MSN e outros tipos de sites de relacionamentos estão fervendo entre a nova geração que está chegando. Conhecer alguém pessoalmente, uma pessoa cujo primeiro contato foi pela web, marcar um encontro com alguém nunca visto, já não é mais um tabu. As ferramentas dominadas pelos jovens proporcionam essa relação, e fica cada vez mais freqüente esse tipo de encontro, que, entre eles é “modinha”.
Uma pesquisa feita por uma loja virtual de presentes Lovehearts (lovehearts.com) confirmou que a nova geração está mesmo usando a internet para se relacionar e criar vínculos com pessoas, criar amizades externas e a longa distância.
Parece muito fácil conhecer alguém pela web. Faz-se o primeiro contato, conversam, se conhecem, olham as fotos, e, se agradar pelo parceiro ou parceira do outro lado da telinha, a primeira coisa a fazer é marcar um encontro.
Tudo rola muito bem, se der certo pessoalmente, até arriscam um namoro real, corpo a corpo. Mas, se não rola com o parceiro, a primeira coisa a se fazer é “dar um pé na bunda”. E, a melhor forma para se fazer isso é do jeito que se conheceram, pela web.
Outro lado da pesquisa mostra que 20% da galera entre 22 e 30 anos já fizeram uso de algum mecanismo virtual para terminar um relacionamento. Já entre os menores de 21, o número é ainda maior: 48% já deram ou levaram um “pé na bunda” on-line.
A facilidade de dispensar alguém pela internet é mais fácil, pelo fato de não ter o contato cara a cara, não existe um “gelo”, não se sabe o que o outro pensa ou está sentindo naquele momento.
“Doeu, mas foi melhor”
Nathália Pires de Lima, 19 anos, em entrevista conta: “Conheci meu ex-namorado pelo Orkut, quando morava em Jacaraípe – ES, e viramos grandes amigos, mas ainda não nos conhecíamos pessoalmente. Então marcamos de nos encontrar, fui com a cara e a coragem, mas como fiquei com um pé atrás, levei uma amiga comigo, porque estava com medo. Começamos a sair, e uns meses depois a namorar. Acabei descobrindo que ele tinha mentido pra mim, quando conversávamos pela internet, ele era bem mais novo do que contava, mas continuamos a namorar normalmente. Depois de um ano e meio, tive que voltar para Divinópolis, e mesmo assim ficamos juntos por mais dois meses. Como era carnaval, resolvi ir pra lá, vê-lo, e fiquei a semana toda por lá, voltei num domingo. Na segunda-feira, liguei pra ele conversamos normalmente, mas logo que desliguei, ele me mandou uma mensagem no celular, falando que estava terminando comigo. Fiquei com muita raiva e nem liguei de volta. Mas acho que foi melhor assim, do que pessoalmente, porque acho que eu iria ficar chateada ou alguma coisa do tipo, e por mensagem, nem fiquei triste pelo término, mas sim com muita raiva por ele não ter terminado pessoalmente, no cara a cara. Depois disso tive outro namorado, que também conheci pelo Orkut, só que dessa vez não houve mentiras, e tem dado certo até hoje.”, comenta.
Antônio Carlos Pereira, psicólogo da PUC-SP (Pontifica Universidade Católica), considera terminar um namoro pela internet uma forma de evitar o enfrentamento.
“Isso é prático. As pessoas procuram soluções fáceis em que se comprometam pouco.”
Magdalena Ramos, terapeuta na área da família e professora da PUC_SP, confirma a tendência: “Como os adolescentes querem escapar cada vez mais de situações difíceis e necessárias, eles vão se utilizar da internet para tudo, expressando o mínimo de sentimentos.” Fonte: Folha de São Paulo – Folhateen
As conseqüências podem não ser boas para ambas as partes. Apesar do alívio de não ter de lidar com as reações da outra pessoa, quem dá o fora perde por não se permitir saber o que poderia sentir, de fato, com a ruptura. E, quem recebe o “fora”, é mais complicado ainda, além de a pessoa não poder se defender sai como a vilã da estória. Numa relação a dois, tem de existir o espaço para a pessoa demonstrar seus sentimentos. Na situação on-line, não há isso.
Esse tipo de comportamento vem se expandindo entre os jovens. Terminar um namoro só pela internet é extremamente impessoal e frio. Se houvesse uma conversa depois, talvez a situação poderia ficar mais clara. Não podemos nos esquecer de que a melhor forma de lidar com nossas emoções é a real, não a virtual.



