Divinópolis, cidade de universidades, terra de estrangeiros. Dificuldades, diversão, saudades, são alguns dos sentimentos que rodeiam os jovens na hora de seguirem seus caminhos
Liberdade, independência, festas, baladas! Seria uma vida que qualquer pessoa pediu a Deus, se não fossem as barreiras que a vida se propõe a erguer. Nem tudo são rosas.
O principal motivo que leva os jovens a sair de casa tão cedo é a necessidade de buscar uma vida melhor. Mais oportunidades, acesso a recursos que, na maioria dos casos não se dispõe na cidade de origem, como, por exemplo, universidades.
A primeira impressão que surge é a de liberdade, sair da barra da saia da mãe, independência. Sentir-se livre, garantir o próprio sustento, à primeira vista, seria a melhor coisa do mundo, mas não é bem assim que as coisas acontecem.
Como diz um velho dito popular, “eu era feliz e não sabia!”. Isso resume o que pensa a maior parte dos então “livres jovens”. Roupas lavadas, comida feita na hora, aconchego de família, proteção, colo da mãe são as principais coisas das quais se sente falta.
Buscar algo melhor, estudos, trabalho, carreira, motivos suficientes para mudança tão drástica, mas, ninguém é de ferro e as vezes a saudade fala mais alto. É nessa hora que se tem vontade de jogar tudo para o alto e voltar correndo para os braços da mãe. Mas, a vida continua e é preciso fazer alguns sacrifícios para conquistar os objetivos.
“Uma das principais dificuldades é falta de experiência”, é o que diz Flaviane de Oliveira, de 20 anos, que saiu de sua cidade natal, Curvelo, com 18. “vim para Divinópolis em busca do curso que estou fazendo, que é comunicação social. Quando saí de casa, percebi o quanto é complicado morar sozinha quando ainda não se tem experiência de vida.”Morar sozinho requer sacrifícios imensuráveis, como deixar para trás namoros, paixões, escola, amigos. Muitos passam até por dificuldades no começo, o que trazem não é o suficiente para suprir as necessidades básicas como despesas de casa, comida, transporte, aluguel, água, luz. Passar pelos mesmos sufocos que vemos nossos pais passarem à vida toda, não é fácil.
As responsabilidades pesam nas costas, nem tudo é festa e o sonho de liberdade total acaba nos primeiros meses. Percebe-se que é importante ter força de vontade e que muitos não apostam na capacidade dos jovens assumirem grandes responsabilidades.
Na hora de buscar emprego, complica! A falta de experiência pesa e nem sempre é fácil conseguir de imediato o que se pretende. Mas, com o passar do tempo, depois de muita dificuldade em se adaptar com a nova rotina, morar sozinho se torna fonte de aprendizagem e maturidade.
Há dias em que a vontade de se “esconder” do mundo é imensa, se “esconder” da vida, trabalho, responsabilidades. Cada dia que passa é uma vitória conquistada. É preciso ter coragem para enfrentar esse “medo” que ataca sem cessar.
“O que mais pesa, com certeza é a responsabilidade que se impõe para os jovens. Ter que acordar cedo para ir trabalhar, administrar o próprio dinheiro, falta de alguém para contar como foi o dia, as conquistas, as derrotas, proteção”, diz Eniliane Camargo, de 21 anos, que veio de Novo Cruzeiro e trabalha, atualmente, na Rádio 96,1 FM de Nova Serrana.“O lado bom de tudo é a satisfação de se sentir adulto, a liberdade. O lado ruim é não poder compartilhar com pessoas que amamos nossas vitórias, conquistas. Um simples carinho que se dispõe sem nada em troca”, diz a radialista.
Para quem pensa que morar sozinho é só festa, está muito enganado. A rotina de uma cidade maior cansa e as festas e baladas passam a ter menos importância. Se aprende a separar diversão com compromissos, e, por fim, acaba que não se aproveita o lado bom de morar sozinho.
A vontade de conquistar o próprio espaço, garantir seus méritos, crescer dentro da área que se pretende seguir é a melhor recompensa. O retorno financeiro vem com o tempo. Claro que é importante!
“A primeira coisa que vem à cabeça, é poder ajudar a família, para que futuras gerações não venham a passar o mesmo que já passaram”, completa Eniliane.
Na hora de sair de casa, o que mais ajuda é o apoio da família que se dispõe a ceder sem querer nada em troca. “Embora seja independente em muitas coisas, ainda necessito do apoio de meus pais em alguns pontos. Busco sempre resolver meus problemas da minha forma e sei que com isso, aprendo a lidar melhor com minha vida.”, diz Rubens de Souza, de 19 anos, que veio de Lagoa da Prata para Divinópolis, onde, trabalha hoje, na Assessoria de Comunicação do Hospital São João de Deus.
“Passei por dificuldades quando me mudei de cidade, porém em pouco tempo consegui um estágio que logo veio a se tornar meu emprego e me sinto muito realizado, tanto no meu trabalho, quanto na área em que atuo”, comemora Rubens.Quem realmente deseja crescer e abrir portas e desbravar caminhos com os próprios pés, precisa abster-se de alguns caprichos, algo essencial é saber dividir espaço com pessoas nunca vistas antes.
É o caso de quem mora em repúblicas. Dividir seu espaço com outras pessoas não é fácil, com certeza! Mas, não se tem tudo de uma vez e nem sempre é tão difícil ceder é preciso lembrar que os novos colegas, que dividem um mesmo espaço, passam pela mesma situação, tornando as atitudes mais compreensivas.
Contudo, morar sozinho requer muita responsabilidade, maturidade, perseverança e força de vontade. Ninguém se ergue, se constrói, ou conquista seus objetivos sem algum sacrifício e o primeiro passo para uma vida livre é a coragem e a determinação para trilhar sua própria estrada.



